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terça-feira, 19 de março de 2019

Como a menina símbolo da Guerra do Vietnã tornou-se cristã e mudou de vida

Quem olha para a vietnamita Kim Phuc hoje e, sem ouvir a sua história, vê aquele sorriso permanente no rosto, não imagina tudo o que ela passou desde 8 de junho de 1972. Essa foi a data em que sua pele ardeu em chamas após o exército do Vietnã do Sul, com o apoio dos Estados Unidos, lançar bombas de Napalm – material altamente inflamável – em seu vilarejo que estava ocupado por homens da tropa do Vietnã do Norte.

Kim lançou a tradução de sua autobiografia “Fire Road: The Napalm Girl’s Journey through the Horrors of War to Faith, Forgiveness, and Peace”, durante o Encontro Literário Ide, que aconteceu junto da Expo Cristã, em São Paulo, a maior feira gospel da América Latina.  A versão brasileira, publicada pela editora Mundo Cristão, leva o nome “A menina da foto – Minhas memórias: do horror da guerra ao caminho da Paz”. Durante o Encontro Kim contou um pouco de sua história.
Kim 
Três dias após o ataque, Kim foi levada ao Hospital Infantil em Saigon, mas chegando lá foi desenganada pelos médicos. A dor das queimaduras, segundo Kim, era tanta, que sua consciência ia e voltava, sem que ela tivesse forças para falar ou dar sinais de vida, o que fez com que, por erro médico, ela chegasse a ser levada ao necrotério. Se não fosse a ajuda do fotógrafo Nick Ut, da Associated Press, que foi quem fez a emblemática foto, talvez ela nem tivesse chegado ao hospital. “Agradeço humildemente a ele, por ter ido além do seu dever”, conta Kim.  A pedido do tio de Kim, Nick colocou a menina em uma van junto com as outras crianças que iam a Saigon e assim ela teve chances de sobreviver.

No necrotério, Kim diz que ficou deitada na maca até que sua mãe veio ao seu encontro. Triste pela suposta perda da filha, ela pegou a menina no colo e chorou. Então uma enfermeira apareceu e lhe perguntou quem era Dahn. A mãe de Kim respondeu que era o primo de apenas três anos que havia morrido no bombardeio dias antes. A enfermeira contou que a menina  havia chamado pelo primo há alguns dias e quando sua mãe sussurrou “ele morreu”, Kim lembra de recobrar a consciência e se virar. Foi o início de sua luta para voltar à vida.

A mãe de Kim saiu pelos corredores em busca de um médico e então começaram o procedimento para cuidar da pele dela. Era um milagre que após quatro dias com graves queimaduras, ela ainda estivesse viva. Foi necessária uma transfusão de sangue, vários banhos para remoção da pele e a preparação para a primeira das 16 cirurgias que ela faria nos próximos meses. Kim passou mais de um ano no hospital e a convivência com os médicos a fez desejar seguir a mesma profissão. Durante toda a vida, ela passou por cerca de 20 procedimentos cirúrgicos.

Usada pelo governo

Ao chegar à adolescência Kim tentou por diversas vezes fugir do Vietnã diante da situação em que seu país se encontrava. Todas as tentativas foram frustradas, ela era encontrada e tinha que voltar para casa. Em 1982 a jovem concluiu o Ensino Médio e então começou a se preparar para ingressar na faculdade de medicina. Mas foi durante o curso preparatório, que Kim foi procurada por oficiais vietnamitas. Era o aniversário de 10 anos de sua emblemática foto e jornalistas estavam interessados em saber o que havia acontecido a menina da imagem. Kim se tornaria um produto para o país.

A partir do momento em que foi encontrada pelo regime comunista, Kim perdeu sua liberdade. A vida que não havia sido fácil até então, iria se tornar mais complicada ainda, quando ela passou a ser vigiada constantemente por oficiais do exército do Vietnã e foi feita menina propaganda da guerra. Frequentemente convocada a dar entrevistas, os estudos de Kim eram prejudicados por conta de sua agenda e seu sonho estava ameaçado. “De todos os civis feridos na Guerra do Vietnã, porque eu precisava ser a escolhida para transmitir a mensagem antiguerra, antidemocracia e anti-Estados Unidos?”, lembra ela em seu livro.
Meses depois Kim foi forçada a sair da universidade. Soube pela direção da instituição que “seu tempo ali havia acabado”. Era uma resposta a todas as vezes em que a jovem havia tentado se opor às entrevistas que concedia. Sua família também chegou a ser ameaçada.

A conversão ao cristianismo

A família de Kim sempre foi do Caodaísmo, uma religião fundada no sul do Vietnã. Mas foi em um sábado, quando estava tentando se esconder dos oficiais do exército, em uma biblioteca, que ela encontrou uma Bíblia. “Abaixei perto de uma pilha de livros e puxei vários títulos religiosos e entre ele estava uma Bíblia”, conta. “Comecei a folheá-la e em uma hora havia examinado todos os evangelhos. Guardei na memória vários questionamentos sobre o que li, com medo de escrever em um papel e ser pega”, completa.

No livro de João, Kim foi confrontada com um Jesus que até então desconhecia. Segundo ela, no Cao Dao ela ouviu falar que Jesus era mais um profeta entre tantos, mas ali ela estava lendo sobre alguém que era “a Verdade e a Vida”, que além de tudo havia sofrido por um propósito e que teve seu corpo marcado por cicatrizes.

Os questionamentos de Kim sobre quem era Jesus e o que a fé poderia fazer em sua vida só foram respondidos quando o primo do primeiro esposo da irmã de Kim a ajudou. Ele era pastor auxiliar em uma igreja cristã próxima e durante uma visita à família desta irmã de Kim, ela conheceu mais sobre Jesus.

No Natal de 1982 Kim se converteu ao Cristianismo. Segundo conta, a fé em Jesus Cristo foi fundamental para ela compreender tudo o que havia vivido até então e ver um propósito em sua vida. Desde então, sua forma de viver mudou de muitas maneiras. Ela, que achava que nunca viveria um grande amor por causa das marcas que carregava em sua pele, conheceu um rapaz em Cuba e se casou. Ela viveu alguns anos naquele país, quando o governo vietnamita a liberou para estudar fora.

Hoje, aos 55 anos, Kim vive no Canadá com seu marido Toan, seus filhos e um neto. Ela fundou uma ONG, a KIM Foundation International, para ajudar crianças que vivem os horrores das guerras e lhes fornece tratamento e próteses. Sua fundação também patrocina a construção e manutenção de hospitais, orfanatos e escolas. Kim também é embaixadora da boa vontade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). semprefamilia

segunda-feira, 18 de março de 2019

Atirador de escola tinha frase da Bíblia Satânica em caderno

A Polícia Civil encontrou uma frase da Bíblia Satânica escrita em um dos cadernos de Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, um dos atiradores do massacre da escola de Suzano, em São Paulo.
O texto diz: “Quando caminhando em território aberto, não aborreça ninguém. Se alguém lhe aborrecer, peça-o para parar. Se ele não parar, destrua-o”.

O livro, que serve como base do movimento satanista, foi escrito por Anton LaVey, em 1969. Além disso, as anotações de Guilherme Taucci ainda continham táticas de jogos de videogame, como Garena Free Fire e Call of Duty, palavras de ódio e desenhos de armas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), a motivação do menor de idade e de Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, também autor do massacre, ainda é desconhecida.
O que se sabe é que eles premeditaram o crime e fizeram pesquisas sobre como realizar o atentado na Deep Web. Taucci matou Luiz Henrique e tirou a própria vida após atacar a escola.
 PLENO.NEWS

VÍDEO | Globo transmite ao vivo ação social da Igreja Universal e repórter fica desconcertado

Uma transmissão feita pela GloboNews, canal de notícias por assinatura da Rede Globo, deu o que falar nas redes sociais, após aparecer na gravação a entrevista com uma senhora que elogiou o trabalho social feito pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), ao vivo.

Na ocasião, o repórter Renan Fiuza estava fazendo a cobertura dos estragos provocados pelas enchentes que assolaram vários municípios da grande São Paulo, na semana passada, deixando centenas de famílias desabrigadas e 12 mortos, incluindo um bebê.

“Agora, dona Florentina, como fazer para recomeçar?”, perguntou o jornalista. “Agora, o pessoal tá ajudando né? O povo fala mal da Igreja Universal do Reino de Deus, mas é o pessoal da igreja que está me trazendo as coisas.”, respondeu a moradora, que teve a casa inundada pela enchente.
Imediatamente após a fala da senhora, o jornalista frisou que ela “estava recebendo doações”, mas sem destacar o trabalho social dos voluntários da IURD.

“Eu vi que a senhora estava recebendo doações, né?”, perguntou o repórter, no que a moradora respondeu prontamente: “É, são doações da Igreja Universal”.

Em seguida, Fiuza continua sua fala, mas ainda sem mencionar a ação social feita pela igreja. “É isso, é solidariedade né Maria…”, disse ele, dirigindo-se à jornalista que estava no estúdio da Globo News. “A gente… nesse momento a gente repara que a solidariedade do… dos vizinhos, dos amigos é o que resta né”.

Em sua página oficial, a Universal também repercutiu a reportagem, afirmando que essa não foi a primeira vez que a Rede Globo tentou omitir o trabalho social feito pela IURD.
“Um exemplo foram as reportagens afirmando que ‘a fé evangélica entrou nas escolas do Rio de Janeiro’. A ideia era fazer o leitor acreditar que cultos evangélicos estavam sendo realizados com o aval da prefeitura”, diz o site.

“Na verdade, o que houve foram ações sociais como essa que levaram, naquela ocasião, médicos, enfermeiros, cabeleireiros, psicólogos, advogados e dentistas para atender, gratuitamente, cerca de 1.200 pessoas que moram na região da Maré”, continua.

Por fim, a IURD afirma que o repórter da Globo News tentou “mentir” durante a entrevista, para não destacar o trabalho da igreja, aparentemente, por ser liderada pelo bispo Edir Macedo, proprietário da Rede Record.

“Assim, não surpreende a ação do repórter tentando mentir sobre quem estava ajudando às vítimas da enchente. Provavelmente, ele não quis dar destaque ao trabalho social da Universal por orientação de seus superiores”, conclui o texto.

Ladrão assalta pastor com uma faca durante culto e diz: “Deus vai me perdoar”

A ousadia de criminosos está cada vez maior. Nem mesmo ambientes religiosos, geralmente respeitados como locais sagrados, ou mesmo o temor a Deus em decorrência dos pecados praticados, são empecilhos para inibir a prática de assaltos, como o que ocorreu recentemente em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O assalto ocorreu em uma igreja evangélica localizada na Rua Jorge Knopp, no Bairro Marumbi, na última quinta-feira (14). Na ocasião, estava sendo realizado um culto, quando um ladrão se aproximou do pastor que assistia a cerimônia, encostou uma faca em sua barriga e disse: “Deus vai me perdoar”.

O criminoso tomou o celular do pastor, de 35 anos, e depois fugiu em direção à Rua Marumbi. Entretanto, com o auxílio das testemunhas e locais o assaltante foi identificado e preso algumas horas depois.

Tem ladrão embaixo da cama

Segundo informações da Polícia Militar, ao chegar na casa do suspeito, ele foi encontrado escondido embaixo da cama, com o celular roubado e a faca que utilizou para cometer o crime, segundo o G1.
Chamou atenção a longa ficha criminal do homem, que não teve o nome revelado, mas apenas sua idade de 33 anos. Ele já possuía 17 passagens policiais, sendo 14 por crimes contra patrimônio.

Após ser preso pelos policiais e levado para a delegacia, o acusado foi reconhecido pela vítima e testemunhas e depois encaminhado para o sistema prisional, onde deverá responder pelo crime.

Caso inusitado

Em outro caso recente, mas dessa vez ocorrido em São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal, Rio Grande do Norte, dois assaltantes também invadiram o templo de uma igreja durante a realização de um culto para cometer assaltos.

Após tomar todos os pertences do pastor, no entanto, um dos assaltantes fez um pedido inusitado. “Em um momento, um deles disse que queria me fazer um pedido: ‘Ore por mim”, disse o pastor.
“Eu coloquei a mão sobre a cabeça dele e comecei a orar. Então eu disse: ‘Você já tem minha carteira, meu celular, então deixe o culto acontecer’. Na mesma hora, ele escondeu a arma e devolveu os pertences”, relatou o pastor.

Bolsonaro confirma participação na Marcha para Jesus, diz apóstolo

O presidente Jair Bolsonaro recebeu líderes evangélicos nesta quinta-feira (14), no Palácio do Planalto. Querem que ele seja o primeiro presidente a ir à Marcha para Jesus, o maior evento evangélico do Brasil.

E ele topou, segundo o apóstolo César Augusto, um dos presentes na reunião. “Mostra o carinho que ele tem, o respeito que ele tem aos evangélicos.”

Do apóstolo Estevam Hernandes, o mesmo que a meses da eleição disse que Bolsonaro precisava pregar mais “amor e tolerância” se quisesse conquistar os evangélicos, ele ganhou uma camisa da Marcha para Jesus. O ato é organizado em São Paulo todo feriado de Corpus Christi, que neste ano será em 20 de junho, pela Renascer em Cristo, a igreja de Hernandes.

O apóstolo compartilhou em suas redes sociais uma foto com Bolsonaro vestindo o presente sobre sua camisa social. Também no retrato saíram o apóstolo César Augusto, da Igreja Apostólica Fonte da Vida, e o deputado Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara.
 
A legenda menciona o “momento de oração pela nação” que ofereceram ao presidente e diz: “Jesus resgatador, feliz a nação cujo Deus é o Senhor”.
 
Eles também tentam convencer Bolsonaro a ir em outra Marcha, esta em Goiás, marcada para semanas antes. Essa resposta ele ficou devendo, segundo Augusto

 JMnoticia

Cuidado! Boneca Momo ensina suicídio para crianças em vídeos infantis do YouTube

Uma boneca macabra está assustando crianças em todo o mundo. Batizada de Momo, a personagem, que tem aparência assustadora, foi inserida em diversos vídeos de conteúdo infantil do YouTube Kids, plataforma feita especialmente para crianças, e aparece em momentos aleatórios, no meio das imagens, com mensagens suicidas.

Sem qualquer aviso prévio, imagens da Momo estão inseridas dentro de vídeos feitos para o público infatil. Assim, enquanto as crianças assistem um determinado programa ou o clipe de uma música, as imagens são interrompidas para darem lugar à boneca.


Em inglês, ela dá instruções de como cometer suicídio . Mas é preciso tomar cuidado: nem apenas as crianças que entendem a língua estão sujeitas ao perigo. Além do áudio ensinando como cortar os pulsos com diversos objetos que podem estar presentes em casa, também há imagens demonstrando o ato, fazendo com que se torne facilmente imitável pelas crianças.

Há relatos de aparição da boneca no meio de vários vídeos do YouTube Kids : alguns em que crianças fazem slime, em episódios de desenho e até mesmo roubam alguns minutos de músicas infantis, como a famosa " Baby Shark ".  

No Twitter, diversos usuários começaram a confirmar o problema, deixando o assunto entre os mais comentados da rede social. Os internautas afirmam que as crianças de sua família ou de conhecidos já sabiam quem era a boneca Momo e que estavam com medo.

Há também relatos de que, além de cometer suicídio, a personagem estimula as crianças a fazerem outros desafios, como esfaquear outras pessoas da casa. Para influenciar os pequenos a realmente fazerem o ato, a boneca retorna no fim do vídeo com ameaças e diz que, caso a criança não cumpra a ordem, ela vai voltar para pegá-la durante a noite. Assim, causando medo, é mais provável que a criança realmente o faça.

 Em resposta às denúncias, o YouTube se pronunciou, em nota, alegando que não foi encontrado "nenhum vídeo que promova um desafio Momo no YouTube Kids" e pedindo para que qualquer conteúdo com "atos nocivos ou perigosos" seja denunciado.
Confira:

tecnologia.ig.com

Massacre em escola de Suzano: Padrão de atiradores envolve crise de masculinidade e fetiche por armas, dizem especialistas

Tanto o massacre ocorrido na quarta-feira (13) na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), quanto o atentado que deixou ao menos 49 mortos em mesquitas da Nova Zelândia nesta sexta remetem, pelo que se sabe até agora, a um padrão e a um "roteiro" observados em ataques à escolas nos Estados Unidos e também a atentados extremistas recentes na Europa, explica o acadêmico brasileiro Gabriel Zacarias, da Unicamp, que estudou questões relacionadas ao tema em livros e artigos.

Esse padrão visto em massacres inclui questões marcantes: o atirador geralmente acumula sentimentos mal resolvidos de frustração e alienação social - com uma crise de masculinidade em parte significativa dos casos. Ele busca por armas como suposta forma de se mostrar viril e faz retratos de si mesmo com o armamento, criando uma autoimagem de "guerreiro". E, após a execução do ato de violência em si, há em vários casos o suicídio dos autores.

Padrão de comportamento

Na opinião de pesquisadores do tema, entender esse padrão pode ajudar na prevenção de futuros ataques. Embora seja importante destacar que atentados assim sejam fenômenos complexos e com múltiplas causas, e que EUA, Brasil e Nova Zelândia apresentam realidades bastante diferentes.

Assim como no ataque em Suzano, que deixou dez mortos (incluindo os dois atiradores) e 11 feridos, os perpetradores costumam ser homens jovens. Em geral, têm dificuldade de inserção social e, ainda que muitas vezes não tivessem praticado violência até então, acumulavam algum tipo de ressentimento agudo em relação à sociedade e comunidade onde viviam.
Outra característica importante: eles costumam ter acesso a armas e/ou fetiche por elas.
Armados, esses homens frequentemente fazem alguma postagem ou retrato público que antecipa os ataques - um dos assassinos de Suzano postou fotos de si mesmo no Facebook com máscaras e armas que parecem ter sido usadas no ataque à escola.

Depois, ocorre o ato de violência em si, geralmente praticado em lugares com alta concentração de pessoas e aparentemente aleatórios - mas que muitas vezes são também simbólicos de sua frustração social.

Os atiradores de Suzano, por exemplo, eram ex-alunos da escola Professor Raul Brasil, onde realizaram o atentado, segundo informou a Secretaria de Segurança de São Paulo. Um deles foi expulso da escola no ano passado, deu a entender o secretário da pasta, João Camilo Pires de Campos.

No caso dos atentados na Nova Zelândia, um dos atiradores - o que filmou o atentado na mesquita com uma câmera presa à cabeça - tinha uma forte retórica anti-imigrantes e anti-islâmica.
Por fim, o "roteiro" de atiradores em massa muitas vezes termina com o suicídio dos perpetradores. É o que parece ter ocorrido em Suzano: as investigações apontam que um dos atiradores matou o outro e em seguida se suicidou.

Reconhecimento midiático

As razões por trás do ataque na escola paulista ainda estão sendo investigadas pela polícia, que busca pistas para entender o que levou os dois ex-estudantes a entrarem atirando na escola, atingindo vítimas aparentemente aleatórias.

Mas, segundo o delegado-geral encarregado do caso, Ruy Ferraz Fontes, a motivação parece ser uma busca por reconhecimento de parte da comunidade. "Eles queriam demonstrar que podiam agir como (no massacre de 1999) em Columbine, com crueldade", disse ele à imprensa.

Em geral, "existe, de fato, um roteiro seguido em ataques desse tipo", diz à BBC News Brasil Gabriel Zacarias, que é professor de História na Unicamp e estudioso de casos recentes de extremismo islâmico na França (abordados no livro No Espelho do Terror: Jihad e Espetáculo; ed. Elefante, 2018). "A escola muitas vezes é identificada como um lugar de opressão e ressentimento, e atiradores costumam ter alguma relação traumática não elaborada com aquele lugar. Existe, muitas vezes, uma dificuldade (dos perpetradores) de se inserir no normalmente aceitável."

Zacarias é autor de livros e artigos que analisam esses massacres sob a ótica da espetacularização, ou seja, da busca dos perpetradores por atenção e reconhecimento midiáticos.

No caso da Nova Zelândia, essa espetacularização é ainda mais evidente por conta da transmissão dos atos via Facebook por um dos atiradores, "algo que remete a uma cena de um filme de ação ou a um videogame e, inclusive, é uma técnica que foi usada também pelo (grupo autodenominado) Estado Islâmico. Isso só mostra que a divisão de lados, nesse fenômeno, é algo ilusório: o modus operandi (dos atiradores) é o mesmo, por se tratar de um fenômeno global, com raízes parecidas."

Armas e poder

Em paralelo à representação midiática, existe também uma busca por armas como um anseio de empoderamento.

"O momento em que os atiradores se armam é uma espécie de fantasia, quando acreditam que vão ter uma sensação de potência. Antes de realizar os ataques, eles, então, posam como guerreiro (em fotos nas redes sociais), como se estivessem assumindo uma identidade heróica, embora não haja nada mais covarde do que atos desse tipo", prossegue o pesquisador.

O suicídio, nessa narrativa, é aparentemente visto pelos atiradores como o momento de "glória e reconhecimento" que eles não tinham conseguido em vida. Como esses atiradores sabem que seus atos receberão grande atenção da mídia e da sociedade, "eles tentam criar uma autoimagem 'gloriosa'", explica Zacarias.

Para o professor e pesquisador, "ataques desse tipo já ocorriam muito antes de as redes sociais existirem, mas com as redes isso fica muito mais palpável: ele (atirador) produz a própria imagem e sabe como ela vai ser divulgada".

"Quem comete um atentado sabe que vai ser apresentado de uma determinada maneira na imprensa, nos telejornais, nas redes sociais jihadistas. Vai ter um 'momento de 'triunfo'."

Alguns desses elementos estão presentes também nos atentados extremistas realizados contra alvos populares em cidades europeias. No caso da França, o mais estudado por Zacarias, os perpetradores "geralmente são de um estrato social mais baixo e de família de origem imigrante, (sob) preconceito e dificuldade de ascensão social. (...) Parecem ter encontrado no terrorismo uma forma de dar um sentido mais nobre a uma vida que já estava fora da norma".

'Raiva masculina'

Essa é uma
teoria em meio a diversos estudos sobre perfis de atiradores e sobre as questões de fundo que os levam a fazer o que fazem, algo bastante estudado nos EUA, onde o problema se tornou quase epidêmico nas últimas duas décadas. Só em 2018, atiradores em escolas deixaram 113 pessoas mortas ou feridas. O país registrou, em média, um massacre a cada oito dias do calendário escolar.

Alguns estudos sugerem haver por trás de muitos dos casos uma possível "crise de masculinidade", em que jovens homens que se sentem desconectados da sociedade acabam encontrando na violência e na cultura de exaltação de armas de fogo uma forma de se autoafirmarem.

"Investigadores dizem que massacres escolares se tornaram o equivalente americano a atentados suicidas com bombas - não apenas uma tática, mas uma ideologia", diz reportagem de 2018 do jornal americano The New York Times sobre o tema. "Jovens homens, muitos deprimidos, alienados ou perturbados mentalmente, são atraídos pela subcultura de Columbine (palco do marcante massacre escolar de 1999, que deixou 15 mortos, incluindo os perpetradores, e deu início a uma onda de ataques semelhantes em outras escolas) porque a veem como uma forma de descontar (sua raiva) contra o mundo e obter a atenção de uma sociedade que eles acreditam que os trata com bullying, os ignora ou não os entende."

A reportagem do New York Times citava como exemplo um vídeo feito pelo atirador do massacre de Parkland, na Flórida, que deixou 17 mortos. "Vai ser um grande evento. Quando você me vir no noticiário, saberá quem eu sou", dizia ele no vídeo.

Falta de rede de apoio

Em palestra de 2014, o professor de Justiça Criminal Eric Madfis, estudioso de ataques em escolas pela Universidade de Washington Tacoma, levantou questões semelhantes. Disse que massacres nos EUA costumam não ser causados por algo isolado, mas sim um conjunto de fatores: a maioria dos perpetradores são homens que sofreram algum tipo de bullying ou isolamento social; muitos buscam um reforço de sua masculinidade nas armas de fogo; alguns tinham histórico de problemas mentais, embora isso fosse na minoria dos casos que ele analisou.

"Eles sofriam frustrações de longo prazo, algo que acontece com muita gente, mas a diferença é que a maioria das pessoas tem alguém em quem se apoiar positivamente quando isso ocorre. (Porém), muitos perpetradores tinham como amigo apenas alguém que os estimulasse a praticar violência", afirmou o pesquisador americano.

Em geral, disse ele, os atiradores também passavam por um momento de ruptura - ser demitido ou expulso da escola, por exemplo.

E costumavam planejar extensa e minuciosamente seu ato de violência.
"Eles às vezes passam dias, semanas planejando o ataque. Os atiradores de Columbine planejaram por mais de um ano. Eles costumam fantasiar a respeito do dia (do ataque) e nesse processo se sentem fortes e masculinos."

"Tanto em massacres em escolas quanto em atos de terrorismo doméstico, os perpetradores usam armas e/ou cometem violência para se constituírem como 'durões', 'homens de verdade'. Também usam a imprensa para criar espetáculos de terror e firmar-se como celebridades", escreveu em artigo o pesquisador Douglas Kellner, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, também autor de obras sobre massacres desse tipo.

"Temos de nos tornar mais crítico dos roteiros midiáticos de hiperviolência e hipermasculinidade que são projetados como modelos de comportamento para homens ou que ajudem a legitimar a violência como modo de resolver crises pessoais e problemas", sugere ele.

Gabriel Zacarias, da Unicamp, levanta outros dois pontos. O mundo passa atualmente por uma crise estrutural econômica que, em comunidades conservadoras, afeta autoimagem dos homens como "provedores do lar" e muitos homens não são encorajados a lidar com suas emoções e frustrações de outras formas que não pela violência e brutalidade.
"Para muitos, a violência é aceita como positiva e como sinal de virilidade, e impor-se por meio dela costuma ser visto como algo heróico", avalia. BCC