Apenas 49,5% das pessoas com idade de trabalhar estavam ocupadas no
trimestre encerrado em maio. É o que mostra a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada na manhã desta
terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Esse é o menor nível de ocupação desde o início do levantamento,
em 2012. Ainda, segundo o IBGE, o número apresenta uma queda de cinco
pontos percentuais em relação ao trimestre encerrado em fevereiro.
"Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, o nível da
ocupação ficou abaixo de 50%", diz Adriana Beringuy, analista da
pesquisa. "Isso significa que menos da metade da população em idade de
trabalhar está trabalhando. Isso nunca havia ocorrido na PNAD Contínua",
acrescenta. Ou seja: mais da metade da população com idade para
trabalhar está desocupada.
O mercado de trabalho mostrou nos três meses até maio perda de vagas
generalizadas, como consequência das medidas de paralisação para
contenção do coronavírus, com comércios e indústrias sendo mantidos
fechados e as pessoas em isolamento social.
Ainda, de acordo com o levantamento, a taxa de desocupação no Brasil
ficou em 12,9% no trimestre encerrado em maio, ante 11,6% até fevereiro.
Dessa forma, o contingente de desempregados no Brasil entre março e
maio atingiu 12,710 milhões, de 12,343 milhões entre dezembro e
fevereiro.
Isso significa mais 368 mil pessoas à procura de trabalho em relação
no trimestre até maio em relação aos três meses anteriores período
anterior.
Ao mesmo tempo, o total de pessoas ocupadas teve recuo a 85,936
milhões, queda de 8,3% sobre o trimestre imediatamente anterior – ou 7,8
milhões de pessoas que saíram da população ocupada – e de 7,5% ante o
mesmo intervalo de 2019.
"É uma redução inédita na pesquisa e atinge principalmente os
trabalhadores informais. Da queda de 7,8 milhões de pessoas ocupadas,
5,8 milhões eram informais”, completou Beringuy.
mpacto da Covid-19
O impacto da pandemia mostrou toda sua força com perdas tanto entre
os trabalhadores com carteira assinada quanto entre os informais. No
trimestre até maio, os que tinham carteira assinada no setor privado
eram 31,103 milhões, de 33,624 milhões entre dezembro e fevereiro,
atingindo o menor nível da série.
Um total de 9,218 milhões de pessoas trabalhavam sem carteira
assinada no período, contra 11,644 milhões no trimestre imediatamente
anterior.
Já o número de trabalhadores domésticos recuou a 5,074 milhões de
pessoas, o que corresponde a 1,170 milhão de trabalhadores a menos no
mercado de trabalho.
Assim, o contingente na força de trabalho (pessoas ocupadas e
desocupadas) chegou a 98,646 milhões de pessoas, uma queda de 7,406
milhões, ou 7%, em relação ao trimestre encerrado em fevereiro.
"O crescimento da população fora da força indica que as pessoas estão
interrompendo a busca de trabalho por conta do distanciamento social.
Para as pessoas lá na frente saírem da inatividade para conseguirem uma
ocupação vai depender do desempenho da economia", completou Beringuy.
Nos três meses até maio, o rendimento médio do trabalhador chegou a
2.460 reais, maior nível desde o início da série, de 2.374 reais até
fevereiro. Mas, segundo o IBGE, esse aumento se deve à redução no número
de trabalhadores informais, grupo que geralmente ganha remunerações
menores.
Na segunda-feira, o Ministério da Economia informou que o Brasil
fechou 331.901 vagas formais de trabalho em maio, pior desempenho para o
mês da série iniciada em 2010, mas numa melhora em relação à
performance fortemente negativa de abril.
A pesquisa Focus mais recente do BC mostra que a expectativa do
mercado é retração de 6,54% para a economia este ano, indo a um
crescimento de 3,50% em 2021.
*Com Reuters